Nino Carvalho – Consultor e Professor

A vergonha da Burson-Marsteller e do Facebook

14 de maio de 2011

Essa semana foi divulgado por diversos veículos do mundo todo o caso do Facebook ter pagado a Burson-Marsteller, uma empresa de relações públicas global, para difamar o Google com notícias nas mídias on e offline. Além deste post (não deixe de ver o vídeo e os links sugeridos lá no final) também gravei podcast sobre o caso (fez bem pra “aliviar a garganta!”)

Não é a primeira vez que o Facebook demonstra tamanho desrespeito com a comunidade online e também não é inédita essa pompa de Deuses do Olimpo, acima de valores como ética e privacidade. No entanto, talvez tenha sido o mais ousado de seus atos questionáveis – afinal, atacar o Google em princípio é uma mix de insanidade com ingenuidade! Não bastasse a capacidade de inteligência tecnológica da empresa, o Google ainda conta com uma monumental comunidade de fãs e defensores da marca nos quatro cantos do mundo…

 

 

A Burson-Marsteller, a mais baixo nível do baixo nível –como bem colocou o site 24/7 Wall Street– não é tão grande ou conhecida no Brasil mas, internacionalmente, é considerada uma das cinco maiores agências de comunicação do mundo. Após o escândalo, provavelmente vai levar mais um tempinho pra BM conquistar espaço no mercado nacional. Afinal, os principais ativos de uma empresa de comunicação, relações públicas, assessoria de imprensa etc, são a credibilidade e a ética

Na home do site da agência no Brasil, não há qualquer menção ao caso. Nada. A única coisa que capturei da home foi uma avalanche desesperada de twitts para grandes veículos, tentando alertar sobre o posicionamento oficial da empresa. Você poderá ver no perfil da BM Brasil a mesma mensagem, postada uma atrás da outra, mencionando alguns @s, por exemplo > “@estadao Veja comunicado da BM em relação ao trabalho desenvolvido para o Facebook nos Estados Unidos – http://bit.ly/jhuP62“.

É a velha prática da “sociedade da vergonha” (sempre bem ilustrada pelas regulares falcatruas do Maluf…), na qual pode-se tudo, desde que ninguém saiba. Aí, quando um epsódio desse aparece (talvez um em cem?), a empresa pede desculpas, diz que não foi bem assim, que entendeu errado, que o briefing veio torto ou que um estagiário foi o culpado.

Ao me deparar com casos assim, sempre gosto de lembrar dos célebres sweat shops da Nike. Em livros e documentários pode-se testemunhar executivos da empresa dizendo atrocidades do tipo “a gente não sabia que naquele país usavam crianças trabalhando em nossas fábricas“. Agora é Burson dizendo “o cliente pediu pra ficar em sigilo” pois, segundo a agência e o Facebook, a empresa de Mark Zuckerberg estaria fazendo um bem à população ao mostrar falhas/bugs no Social Circle, do Google. Pior – a teoria da sociedade da vergonha é reforçada quando a Burson diz: “Este não é um procedimento aceito na Burson-Marsteller e, por isso, deveria ter sido recusado“. OK, Burson, a gente entende… tadinhos de vocês, ludibriados pelo lobo mau…

Nesse jogo de empurra, desculpas e mea culpas só nos resta aprender e conhecer muito bem onde estamos pisando. Deixamos nossa vida em uma rede social que já deixou bem claro que privacidade não existe e que eles são os donos de tudo que circula em seu ambiente. Além disso, agora talvez estejamos mais alertas ao contratar agências que, ironicamente, deveriam orientar as empresas sobre como cuidar, proteger e disseminar positivamente sua marca. Ludibriar conscientemente o consumidor está longe dessa missão.

Vale ler mais (separei conteúdos com aprofundamentos no caso):

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