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A vergonha da Burson-Marsteller e do Facebook

Essa semana foi divulgado por diversos veículos do mundo todo o caso do Facebook ter pagado a Burson-Marsteller, uma empresa de relações públicas global, para difamar o Google com notícias nas mídias on e offline. Além deste post (não deixe de ver o vídeo e os links sugeridos lá no final) também gravei podcast sobre o caso (fez bem pra “aliviar a garganta!”)

Não é a primeira vez que o Facebook demonstra tamanho desrespeito com a comunidade online e também não é inédita essa pompa de Deuses do Olimpo, acima de valores como ética e privacidade. No entanto, talvez tenha sido o mais ousado de seus atos questionáveis – afinal, atacar o Google em princípio é uma mix de insanidade com ingenuidade! Não bastasse a capacidade de inteligência tecnológica da empresa, o Google ainda conta com uma monumental comunidade de fãs e defensores da marca nos quatro cantos do mundo…

 

 

A Burson-Marsteller, a mais baixo nível do baixo nível -como bem colocou o site 24/7 Wall Street- não é tão grande ou conhecida no Brasil mas, internacionalmente, é considerada uma das cinco maiores agências de comunicação do mundo. Após o escândalo, provavelmente vai levar mais um tempinho pra BM conquistar espaço no mercado nacional. Afinal, os principais ativos de uma empresa de comunicação, relações públicas, assessoria de imprensa etc, são a credibilidade e a ética

Na home do site da agência no Brasil, não há qualquer menção ao caso. Nada. A única coisa que capturei da home foi uma avalanche desesperada de twitts para grandes veículos, tentando alertar sobre o posicionamento oficial da empresa. Você poderá ver no perfil da BM Brasil a mesma mensagem, postada uma atrás da outra, mencionando alguns @s, por exemplo > “@estadao Veja comunicado da BM em relação ao trabalho desenvolvido para o Facebook nos Estados Unidos - http://bit.ly/jhuP62“.

É a velha prática da “sociedade da vergonha” (sempre bem ilustrada pelas regulares falcatruas do Maluf…), na qual pode-se tudo, desde que ninguém saiba. Aí, quando um epsódio desse aparece (talvez um em cem?), a empresa pede desculpas, diz que não foi bem assim, que entendeu errado, que o briefing veio torto ou que um estagiário foi o culpado.

Ao me deparar com casos assim, sempre gosto de lembrar dos célebres sweat shops da Nike. Em livros e documentários pode-se testemunhar executivos da empresa dizendo atrocidades do tipo “a gente não sabia que naquele país usavam crianças trabalhando em nossas fábricas“. Agora é Burson dizendo “o cliente pediu pra ficar em sigilo” pois, segundo a agência e o Facebook, a empresa de Mark Zuckerberg estaria fazendo um bem à população ao mostrar falhas/bugs no Social Circle, do Google. Pior - a teoria da sociedade da vergonha é reforçada quando a Burson diz: “Este não é um procedimento aceito na Burson-Marsteller e, por isso, deveria ter sido recusado“. OK, Burson, a gente entende… tadinhos de vocês, ludibriados pelo lobo mau…

Nesse jogo de empurra, desculpas e mea culpas só nos resta aprender e conhecer muito bem onde estamos pisando. Deixamos nossa vida em uma rede social que já deixou bem claro que privacidade não existe e que eles são os donos de tudo que circula em seu ambiente. Além disso, agora talvez estejamos mais alertas ao contratar agências que, ironicamente, deveriam orientar as empresas sobre como cuidar, proteger e disseminar positivamente sua marca. Ludibriar conscientemente o consumidor está longe dessa missão.

Vale ler mais (separei conteúdos com aprofundamentos no caso):

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6 Comments

  1. Alex Camillo says:

    A desculpa da Burson-Marsteller soa muita como as muitas dadas pelos nossos políticos. Eles não dão a mínima para fazer prevenções contra catástofres, mas depois que elas acontecem, vão até o local e dão uma entrevista com carinha triste dizendo que farão de tudo para ajudar as famílias, um bom exemplo recente é a tragédia da região serrana no Rio.

    Será que, assim como como o Google, o Facebbok também não conta com uma monumental comunidade de fãs e defensores da marca nos quatro cantos do mundo? Ou seja, essa notícia passará batida e em nada afeterá a empresa e/ou a rede social?

    1. Grande Alex!
      Você está certo, essas marcas todas (por exemplo, Google e Facebook) de fato contam com uma enormidade de fãs e fiéis membros de sua comunidade. Como tudo que vemos por aí (e isso é com ou sem internet), acho que o caso com a Burson-Marsteller também acabará no esquecimento, no limbo.

      Você citou muito bem o ambiente político e fez essa alusão ao que temos visto no mundo digital. Concordo. A diferença é que, hoje, com a internet, essas informações ficam eternamente registradas. Pode ser que nossa memória não dê conta, mas a internet nunca esquece. Assim, sempre que procurarem pelas empresas desrespeitosas, casos negativos ou escândalos, em alguma página dos resultados do Google, Yahoo, Bing etc, lá vai estar tudo bem documentado.
      Abraços e valeu!

      @ninocarvalho

  2. Lebravo says:

    Só eu sou muito ingênuo e acho que isso não aconteceu realmente?

  3. Alex Camillo says:

    Nino, Espero que cada vez mais as pessoas façam pesquisas sobre essas empresas desrespeitosas e essas mesmas pessoas poderiam fazer pesquisas na época de eleições também, já que ainda vemos os Collors e Calheiros sendo reeleitos.@Nino Carvalho

  4. [...] alguns dias falei do caso da Burson-Marsteller com o Facebook, menciono em palestras a retalização do GreenPeace contra a Nestle e seu chocolate KitKat, o já [...]

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