Na última semana ministrei um treinamento em mídias digitais para o Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília. A turma era basicamente formada por profissionais de comunicação (jornalistas, publicitários e relações públicas) e o foco era capacitar os colaboradores do STJ a utilizar de maneira estratégica o potencial digital em suas ações de comunicação.
É um trabalho um tanto desafiador para os profissionais do STJ. Seus stakeholders são tão distintos quanto advogados em busca de atualizações em processos legais até estudantes do ensino médio que visitam regularmente as dependências do Tribunal (aliás, diga-se de passagem, é um lugar lindíssimo, muito agradável, organizado e limpo – vale uma visita!). Somado a isso, há muitos outros desafios, como recursos humanos e financeiros escassos, lentidão em processos para adoção das mídias digitais em toda a organização, pouca expertise na área digital, entre outras. Lugar comum em organismos públicos no Brasil, infelizmente…
Apesar de todos os obstáculos, me impressionei positivamente com algumas ações online do STJ, principalmente ao compará-lo com outros órgãos semelhantes de outros países. Naveguei por sites e perfis no Twitter e Facebook (raríssimos!) de Tribunais de Justiça similares de países como Reino Unido, Chile, Colômbia, Estados Unidos, Espanha, Itália, Portugal (lamentavelmente o mais fraquinho…), Costa Rica e México, entre outros. Destes, apesar de haver alguns insights positivos no site do Chile e do Reino Unido particularmente, mesmo com seus problemas, o STJ do Brasil está muito bem posicionado.
O site do STJ é antiquado, muito poluído e confuso. No entanto, nenhum dos outros sites estudados oferece tanto conteúdo relevante aos seus públicos. As notícias são publicadas com muita regularidade (no dia do treinamento, contei uma notícia a cada meia hora, em média – e olha que havia 30 pessoas da equipe de comunicação “trancadas” no curso!!), há links para vídeos e podcasts, as buscas são úteis e realmente funcionam, e há uma área dedicada a crianças e jovens. O Facebook e o Twitter do Tribunal é atualizado automaticamente em grande parte, o que minimiza as possibilidades de interação com a comunidade. No entanto, o Facebook traz muitos vídeos e fotos, o que enriquece a oferta de conteúdo.
O que poderia ser melhorado em curto prazo e com poucos investimentos:
Naturalmente, algumas mudanças são muito emergenciais (por exemplo, ter um novo CMS para gerenciar o site), mas enquanto não há disponibilidade dos recursos necessários, estes simples passos acima sugeridos certamente terão um excelente impacto positivo nas iniciativas digitais do Superior Tribunal de Justiça.
Se tiver mais interesse nesse tema, vale dar uma navegada por outros sites federais de Justiça de dezenas de países do mundo.