Nino Carvalho – Consultor e Professor

Ativismo Digital

30 de agosto de 2013

Artigo do Professor Nino Carvalho originalmente publicado no Jornal Estado de Minas, em 18 de agosto de 2013 Nas últimas semanas, qualquer resquício de dúvida sobre o gigante potencial de mobilização da internet caiu por terra. Acompanhamos as manifestações populares de maior proporção registradas desde o movimento “caras pintadas”, na década de 90. Os milhares de jovens nas ruas para tentar mudar o país é um ponto em comum entre os manifestos. Mas, enquanto o símbolo da principal forma de expressão do movimento de 92 eram as cores verde e amarelo pintadas nos rostos dos manifestantes, o do movimento de 2013 é a rede social. Segundo levantamento da Secretaria das Unidades de Pesquisa/Ministério da Ciência e Tecnologia (SECUP/MCT), entre os dias 13 e 21 de junho os protestos foram o tema de 2 milhões de menções no ambiente online. Por dia, 132 milhões de pessoas foram potencialmente atingidas pelas mensagens, o equivalente a 70% da população brasileira. A Agência Today analisou a repercussão do movimento nas redes no mesmo período e constatou que no primeiro dia de protesto, foram realizadas 64.310 postagens. No quinto dia esse número subiu para inacreditáveis 548.944. O conceito de ativismo digital está estabelecido, tendo sido criado na internet e levado às ruas de fato, mostrando seu poder de integração social. As movimentações pelo impeachment do ex-presidente Fernando Collor foram formadas nas ruas, com a busca por adeptos praticamente de porta em porta pelos pontos focais do movimento, que visitavam instituições de ensino para buscar apoio de grêmios estudantis e outras lideranças acadêmicas. Naquela época, para algo acontecer como aconteceu, dependia de um grupo com viés político, detentor do poder de mobilização, fomentar e estimular a adesão dos outros ao grupo. Os protestos de 2013 não têm nome, não tem objetivo único, não tem partido, não tem liderança. É o reflexo da insatisfação geral com o histórico de desigualdade e injustiças do país.

As passeatas atuais começaram com a organização online de um grupo formado por cerca de 50 pessoas para contestar o aumento das tarifas de transporte público. Pela disseminação na internet, poucos dias depois a causa se alastrou pelo país e ganhou a adesão de 300 mil brasileiros. As queixas foram ampliadas através de discussões online e gritavam também contra o mau investimento do dinheiro público, as obras da Copa, a política econômica mais preocupada com indicadores macro do que com as promessas de um país mais igualitário. As manifestações seguiram e o movimento atingiu a marca de 1,4 milhão de participantes ativos, que receberam convites virtuais com datas, locais e horários marcados. Seria impossível a ocorrência dos movimentos de hoje sem a abertura e a democracia das redes sociais, especialmente do Facebook, por sua infinidade de aplicativos que contribuem para a coletividade. Neste ambiente online, pessoas que não se conhecem se conectam em prol de causas em comum, compartilham todo tipo de informação de maneira dinâmica, criam seus próprios conteúdos, promovem seus próprios movimentos, estreitam a comunicação e marcam território. Os meios de comunicação clássicos são ferramentas que apresentam limites de tempo, financeiro, de conteúdo e abordagem em relação às mídias digitais, redes de ilimitada capacidade de interatividade e inigualável potencial de propagação. O que vemos é a primeira grande manifestação popular vivida no Brasil na era digital. Um movimento libertário organizado numa mídia que permite a liberdade de expressão. Artigo do Professor Nino Carvalho originalmente publicado no Jornal Estado de Minas, em 18 de agosto de 2013

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