Muitos órgãos públicos e muitos políticos têm usado as redes sociais para comunicação com seus diferentes públicos. Minha avaliação é que grande parte ainda usa mal o potencial do meio online, principalmente no que se refere a persistir em utilizar as ferramentas sociais como canal de mão única, se preocupando mais em falar do que ouvir ou conversar.
Dadas as mudanças recentes das últimas eleições e meus trabalhos com instituições públicas, achei que poderia ser interessante ver como os novos ministros e os próprios ministérios se apresentam no Twitter.
Convidei a Mariana Lins para me ajudar com este estudo/post e a pesquisa foi simples: durante alguns dias procuramos e listamos os perfis dos ministros e respectivos ministérios e partidos aos quais estão vinculados. Compilamos e disponibilizamos a lista aqui. Detalhes completos (e com diversos links úteis), que serviram de base para a pesquisa, estão disponíveis na Wikipedia. Lá você também poderá ver mais detalhes históricos sobre os ministérios e um pouco da biografia dos atuais ministros.
:: Alguns Achados
Inevitavelmente me surpreendo de ainda não termos, no Brasil, todos os ministérios com presença no Twitter. Das 27 casas, quase metade (15) possui perfil (12 não estão nesta rede social). Alguns dos principais organismos estão fora, como os ministérios de Ciência e Tecnologia, Fazenda e o do Esporte.
Como já mencionei em outros posts e no meu Twitter, continuo achando que os perfis do Ministério da Saúde e do Ministério do Turismo são os melhores disparados. Atualizados com frequencia, interagem com os seguidores, compartilham com a comunidade… outro perfil que gosto é o do Ministério da Defesa. Talvez esteja viesado pelo fato de já ter tido o responsável pelo @ da Defesa como aluno por duas ocasiões (um profissional com uma cabeça fantástica), mas vale acompanhar, eles sabem como estreitar os laços com as comunidades de assuntos similares.
Não simpatizo muito com o perfil do MEC. Além de ter agido muito mal durante a recente crise do ENEM, o Twitter do Ministério da Educação é confuso, usa um avatar que não faz o menor sentido para o leigo e tem uma pegada muito egocêntrica. Esperava muito mais desta importante pasta do Governo Federal.
Com os ministros o caso é ainda pior. Apenas 11 possuem Twitter (e, propositalmente, nos excluímos de avaliar a qualidade do conteúdo de cada um). Há casos lamentáveis, como o do Alfredo Nascimento (Ministério de Transportes) que atualizou o perfil pela última vez no início de outubro… Coincidência ou não, seu partido (o Partido da República – PR) é o único entre os partidos que não possui perfil no Twitter. Vale dizer que o ministro Edison Lobão (de Minas e Energia) também parou seu perfil em outubro.
No entanto, o campeão de descaso com o cidadão é o ministro Mario Negromonte (Ministério das Cidades). Nosso caríssimo representante deu sua última passada no Twitter no dia 12 de março de 2010 (há quase 1 ano!!). Excelente exemplo de como não ouvir a população… tsc, tsc, tsc…
:: Considerações Finais
Acredito que é importante que os partidos aos quais os ministros pertençam intervenham para auxiliar seu representante a gerenciar a presença nas principais redes sociais – seja com equipe própria, contratando uma agência… tanto faz! Criar e manter bons relacionamentos com a população é demasiadamente importante para contar com o tempo e dedicação pessoal do político (muitos talvez sequer saibam usar internet ainda…). No caso dos ministérios é ainda mais grave. Naturalmente existe verba para trabalhar um bom perfil social e as pastas que sequer possuem um @ estão perdendo oportunidades de fortalecer a sua marca e de fazer de fato um melhor trabalho para os cidadãos.
Estar bem estruturado na internet (e, particularmente, nas redes sociais) será cada vez mais vital para que os representantes populares entreguem resultados e conquistem cada vez mais espaço no cenário político nacional. Por isso, os atores (partidos, ministérios, ministros etc) que falharem em construir uma sólida marca no mundo digital talvez sintam o preço / impacto desta escolha já nas próximas eleições.
Acompanhe a lista dos ministros e ministérios no Twitter e veja a tabela completa aqui.
Por Nino Carvalho e Mariana Lins.
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Caro Sr. Nino, o tanto sucinto que está o texto é total a inteligibilidade do mesmo. Temos ( nós do DominioFeminino ) condições de atestar a conveniência da sua análise por estarmos observando o que aqui foi abordado e muito pior, no que tange ao uso do Twitter, por exemplo, da forma mais inadequada possível. Exatamente no tocante ao, digamos, trato das instituições e dos políticos a vocalização se dá em via única, de cima para baixo. Por experiência, fazemos apenas uma ressalva para a conta do @Agencia_Senado que acompanha de volta todos seus seguidores e está sempre atenta, até para respostas. Sobre os políticos (representantes das duas Casas ) ainda deixam muito a desejar, embora se esforcem alguns poucos. Nós do DominioFeminino vamos explorar este seu post e enviá-lo para o maior número possível de instituições. OBS.: o Logo do MEC é um livro aberto o que não representa a abrangência daquele Ministério.
Oi @DominioFeminino,
muito obrigado pelo feedback, super pertinente e com informações complementares muito úteis ao post.
Mais de uma pessoa me falou bem da @Agencia_Senado, interessante. Fico feliz de ter estimulado a criação do @VocenoSenado após um curso que dei para dezenas de profissionais de comunicação da Casa.
Estou preparando algo similar para os recentes governadores… vamos ver no que dá…
Abraços e continue contribuindo e interagindo ;-)
@ninocarvalho
Só uma observação: são 37 ministérios ou órgãos com status de.
Oi Rodrigo, tudo bem?
Obrigado pelo comentário.
Pegamos a lista na Wikipedia. Ficaria feliz se você puder passar os 37 organismos a que se refere e incluirei os faltantes no estudo.
Valeu!
Abraços,
@ninocarvalho
[...] Post – Ministros e Ministérios do Brasil no Twitter [...]
[...] que traduz bem como engajar o cidadão nas discussões sociais e políticas do Brasil – o do Ministério da Saúde. Já fiz um post mencionando algumas de suas ações, mas é importante ressaltar que este é [...]